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Saída da Ryanair dos Açores expõe um problema que já toda…

Saída da Ryanair dos Açores expõe um problema que já toda a gente sabia que existia

Boas,

A Ryanair fechou a mala e foi embora dos Açores, com a companhia a culpar as taxas aeroportuárias, o Governo a dizer que foi uma surpresa, e a ANA a garantir que as conversas iam "no sentido contrário". Cada um com a sua versão, como sempre.

Mas honestamente? A Ryanair é o problema menos interessante desta história.

O que me intriga é o seguinte: durante dez anos, uma empresa irlandesa de baixo custo foi basicamente a única razão pela qual voar para os Açores era acessível para muita gente. Quando saiu o turismo entrou em pânico, os empresários do alojamento local começaram a fazer contas ao prejuízo, e o Governo foi "trabalhar com a TAP e a SATA" para colmatar a saída. Ou seja, voltámos à estaca zero com o mercado dominado pelas mesmas operadoras, sem pressão competitiva real.

E agora vem a parte que eu acho que ninguém quer dizer abertamente:

Os residentes nos Açores têm subsídio de mobilidade. Faz sentido: não têm carro, não têm comboio, o avião é a única opção. Tudo bem.

Mas para quem não é residente, os preços atuais estão outra vez nos 300-400€ de Lisboa a Ponta Delgada. O que significa que um português do continente vai pagar uma fortuna para visitar. Que um continental que quer conhecer os Açores pondera duas vezes. Que o turismo que a Ryanair trouxe simplesmente... desaparece.

O subsídio protege quem lá vive. Mas não resolve o problema de fundo, que é um mercado sem concorrência suficiente para manter preços razoáveis para toda a gente.

A pergunta que fica: como é que um arquipélago português chegou a 2026 a depender de uma low-cost irlandesa para ter conectividade a preços humanos com o resto do país?

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